A partir de 1 de agosto de 2026, a avaliação de novos pedidos de crédito habitação segue limites mais apertados: a taxa de esforço máxima (DSTI) desce para 45% e os prazos e LTV ficam mais restritivos. Antes de assinar qualquer proposta, peça três simulações comparadas por TAEG e MTIC e faça um teste de esforço com uma subida de 1 a 1,5 pontos percentuais na taxa.
Em resumo:
- As prestações de créditos automóvel e pessoal também entram no cálculo da taxa de esforço, reduzindo a margem de aprovação e podendo exigir uma entrada inicial maior.
- A taxa fixa mantém os encargos estáveis; a variável pode oferecer um spread inferior, e a mista fixa a prestação durante dois a cinco anos.
- A garantia pública permite a jovens até 35 anos financiar até 100% da primeira habitação, até 450.000 euros, mas a aprovação continua a caber ao banco.
- Num empréstimo de 150.000 euros a 30 anos, com spread de 1%, cada subida de 0,25 pontos na Euribor acrescenta cerca de 21 euros mensais.
Índice
- Pontos-chave de 2026: o que mudou no crédito habitação
- Fixa, variável ou mista: qual taxa escolher em 2026?
- Quanto custa hoje: simulações e o impacto real da Euribor
- Apoios e regimes em 2026: garantia pública, IMT jovem e outros benefícios
- Como comparar propostas e negociar o seu crédito
- Visão prática do mercado local: apoio especializado em crédito
- Perspetiva do autor: recomendações práticas para 2026
- Como podemos ajudar a encontrar a sua simulação ideal
- Perguntas frequentes
- Fontes
Pontos-chave de 2026: o que mudou no crédito habitação
A Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 do Banco de Portugal fixa a taxa de esforço (DSTI) num máximo de 45% para contratos cuja avaliação de solvabilidade ocorra a partir de 1 de agosto de 2026. A recomendação também define limites de LTV (rácio entre o valor do empréstimo e o valor do imóvel) e prazos máximos ajustados à idade do mutuário, com uma margem de exceção de 10% por semestre para situações específicas.
Na prática, isto significa que quem já tem outros créditos ativos, como financiamento automóvel ou crédito pessoal, vê a sua margem de aprovação reduzida, porque essas prestações entram no cálculo do DSTI.
- O limite de LTV para habitação própria permanente é recomendado manter-se num valor relativamente elevado do imóvel ou da avaliação.
- Os prazos máximos são ajustados conforme a idade do titular do crédito.
- Bancos podem ainda aprovar até 10% dos novos contratos fora destes limites, mas de forma limitada e justificada.
O efeito líquido tende a ser uma exigência de entrada inicial maior para muitos compradores, sobretudo quem já suporta outras responsabilidades de crédito.
Fixa, variável ou mista: qual taxa escolher em 2026?
A escolha da taxa continua a depender do perfil financeiro e da tolerância ao risco de cada comprador. Na taxa variável, a prestação acompanha a Euribor (normalmente a 3, 6 ou 12 meses) mais um spread fixo definido pelo banco, o que expõe o mutuário a subidas e descidas ao longo do contrato.
A taxa fixa elimina essa incerteza: a prestação mantém-se constante durante todo o prazo, mas costuma partir de um valor inicial mais elevado do que a variável.
A taxa mista combina as duas lógicas: um período inicial fixo, geralmente entre 2 e 5 anos, seguido de indexação à Euribor. Esta modalidade tem vindo a ganhar popularidade por oferecer previsibilidade inicial sem fixar a prestação durante décadas.
- Jovens com margem orçamental limitada tendem a beneficiar da previsibilidade da taxa fixa ou mista nos primeiros anos.
- Famílias com rendimento estável e algum colchão financeiro podem assumir o risco da taxa variável em troca de um spread geralmente mais baixo.
- Investidores que preveem revender ou refinanciar a curto prazo costumam preferir a fase fixa inicial da taxa mista.
Dica profissional: antes de decidir, simule sempre o cenário da taxa variável com uma Euribor mais alta do que a atual, para perceber o pior caso possível da sua prestação.
Quanto custa hoje: simulações e o impacto real da Euribor
Para perceber o peso da Euribor na prestação, veja um exemplo ilustrativo: um crédito de 150.000 euros a 30 anos, com spread de 1%.
Cada 0,25 pontos percentuais de subida na Euribor pode representar cerca de 21 euros adicionais por mês numa prestação deste valor. Esta é a ordem de grandeza útil para montar o seu próprio teste de esforço.

Ao comparar propostas, não olhe apenas para a TAN (taxa nominal). A TAEG inclui comissões e seguros associados e reflete melhor o custo anual real do crédito. A MTIC (montante total imputado ao consumidor) soma tudo o que vai pagar durante a vida do contrato, incluindo juros, seguros e comissões, e é o valor mais fiável para comparar propostas de bancos diferentes. Para montar um stress test simples, pegue na prestação atual simulada e recalcule com a Euribor a subir 1 a 1,5 pontos percentuais: se a nova prestação ultrapassar 45% do seu rendimento líquido, o crédito pode não ser aprovado ou pode tornar-se incomportável. Pode consultar simulações detalhadas sobre a evolução da Euribor em 2026 para afinar estes cálculos.
Apoios e regimes em 2026: garantia pública, IMT jovem e outros benefícios
O regime de garantia pública do Estado permite a jovens até 35 anos financiar até 100% da compra da primeira habitação própria permanente, até ao limite de 450.000 euros, em contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026. A garantia pode vigorar até 10 anos e cobre até 15% do valor da transação, mas a decisão final de conceder o crédito continua a caber sempre à instituição bancária.
- O regime exige domicílio fiscal em Portugal e um limite de rendimento definido nas condições oficiais do programa.
- O IMT jovem isenta ou reduz o imposto na compra, desde que o imóvel se destine a habitação própria e permanente.
- Este benefício fiscal tem prazo de seis meses para afetação à residência e pode caducar se a condição deixar de se verificar dentro de seis anos.
- Existem ainda regimes especiais, como os aplicáveis a pessoas com deficiência, detalhados no Portal do Cliente Bancário.
Vale a pena confirmar as condições atualizadas destes regimes antes de assumir que se qualifica automaticamente.
Como comparar propostas e negociar o seu crédito
Comparar propostas de forma estruturada evita surpresas desagradáveis a meio do processo de aprovação.
- Peça a TAEG e a MTIC de cada proposta, não apenas a taxa nominal apresentada no primeiro contacto.
- Liste todos os seguros obrigatórios e comissões associadas, incluindo manutenção de conta e processamento.
- Solicite uma simulação com a Euribor a subir 1 a 1,5 pontos percentuais acima do valor atual.
- Compare pelo menos três a cinco propostas de bancos ou intermediários diferentes antes de decidir.
- Pergunte diretamente sobre penalizações por amortização antecipada ou transferência do crédito para outra instituição.
Reúna também, com antecedência, comprovativos de rendimento, extratos bancários recentes e informação sobre créditos existentes, já que os bancos avaliam o DSTI incluindo essas responsabilidades. Se o spread do seu contrato atual já não é competitivo, ou se a fase fixa de uma taxa mista está a terminar, esse é geralmente o momento certo para renegociar ou transferir o crédito.
Dica profissional: guarde sempre as simulações em suporte escrito, pedidas ao mesmo banco, para poder comparar propostas em condições idênticas mais tarde.
Visão prática do mercado local: apoio especializado em crédito
Atuamos no mercado imobiliário português desde 2003, com experiência reconhecida e atividade em várias regiões do país. Ao longo deste percurso, acompanhámos de perto as sucessivas alterações nas regras de financiamento e no comportamento dos bancos perante novos compradores.
- Prestamos um serviço de intermediação de crédito dedicado a simulações e negociação com instituições bancárias.
- Oferecemos acompanhamento jurídico e processual ao longo de toda a transação imobiliária.
- Disponibilizamos avaliações personalizadas do imóvel antes de avançar com o pedido de financiamento.
Para aprofundar temas específicos, consulte o nosso guia sobre crédito habitação jovem ou o artigo sobre os novos prazos por idade.
Perspetiva do autor: recomendações práticas para 2026
A prioridade em 2026 não é encontrar o spread mais baixo, mas simular com rigor e reforçar a entrada antes de negociar. Jovens devem explorar a garantia pública enquanto está disponível, famílias com rendimento estável podem equilibrar risco e previsibilidade com uma taxa mista, e investidores devem priorizar flexibilidade contratual. Independentemente do perfil, vale a pena rever o contrato a cada dois ou três anos, porque as regras macroprudenciais continuam a evoluir.
— Sónia Godinho
Como podemos ajudar a encontrar a sua simulação ideal
Negociar com vários bancos em simultâneo exige tempo e conhecimento técnico que nem sempre está disponível para quem trabalha a tempo inteiro. Tratamos da simulação, da negociação de spreads e do acompanhamento jurídico de todo o processo, para que decida com informação completa em vez de propostas isoladas.

- Simulamos propostas de várias instituições e comparamos TAEG e MTIC lado a lado.
- Negociamos diretamente com os bancos em casos de spreads elevados ou perfis financeiros mais complexos.
- Acompanhamos juridicamente todo o processo, da proposta à escritura.
Se procura uma simulação personalizada para o seu crédito habitação, fale connosco através da MaxFinance Golden Line e peça a sua proposta comparativa.
Este artigo fornece informações gerais e não substitui o aconselhamento de um consultor financeiro qualificado. Consulte um profissional financeiro qualificado sobre o seu caso antes de agir com base neste conteúdo.
Perguntas frequentes
Quais são as novas regras para o crédito habitação em 2026?
A partir de 1 de agosto de 2026, os bancos passam a avaliar a solvabilidade com um limite máximo de taxa de esforço (DSTI) de 45%, além de limites de LTV e prazos ajustados à idade do mutuário. Esta recomendação do Banco de Portugal aplica-se a novos contratos avaliados a partir dessa data.
Qual é a evolução esperada para a Euribor em 2026?
As análises de mercado apontam para um período de estabilidade com prudência, sem previsão de descidas acentuadas face aos anos anteriores. Por isso, recomendamos simular sempre o custo total (MTIC) em vez de olhar apenas para a taxa nominal inicial.
Como posso aceder à garantia pública do Estado para comprar casa?
O regime de garantia pública está disponível para jovens até 35 anos, em contratos celebrados até 31 de dezembro de 2026, permitindo financiar até 100% do valor da primeira habitação até 450.000 euros. A decisão final de conceder o crédito pertence sempre à instituição bancária, mesmo quando o requisito de idade e rendimento é cumprido.
Quanto dinheiro preciso para comprar casa em 2026?
Jovens elegíveis para a garantia pública podem reduzir significativamente essa necessidade inicial de capital próprio.
Como escolher a melhor proposta de crédito habitação?
Compare sempre a TAEG e a MTIC de várias propostas, nunca apenas a taxa nominal apresentada inicialmente. Peça uma simulação de intermediação de crédito que inclua um teste de esforço com subida da Euribor, para perceber se a prestação se mantém sustentável em cenários mais exigentes.
Fontes
- Recomendação Macroprudencial n.º 1/2026 (Banco de Portugal)
- Garantia pública do Estado para jovens — Governo de Portugal
- O que é e diferentes regimes | Portal do Cliente Bancário (Banco de Portugal)
