Na compra de uma casa em Portugal, o Imposto do Selo sobre a aquisição é, regra geral, 0,8% sobre a base do IMT, ou seja, sobre o maior valor entre o preço declarado e o VPT. Se houver crédito habitação, soma-se ainda o selo sobre o empréstimo, com taxa dependente do prazo do contrato. Existem isenções através do regime IMT Jovem, com limites de valor e requisitos que convém confirmar antes de avançar.
Em resumo:
- O Imposto do Selo na compra de uma casa em Portugal é de 0,8% sobre a maior base entre o preço de venda e o VPT, incluindo o selo sobre o crédito habitação, se aplicável.
- A isenção pelo regime IMT Jovem é limitada a imóveis até 648.022 euros e exige verificar os códigos corretos na declaração do IMT para evitar atrasos.
- O pagamento do imposto deve realizar-se antes da escritura, com as guias válidas e comprovativos atualizados para evitar adiamentos.
- Quando há financiamento, o selo do crédito, calculado consoante o prazo, soma-se ao imposto da aquisição, aumentando o custo total.
- O acompanhamento profissional, incluindo avaliação do imóvel e simulações completas de financiamento, reduz o risco de erros, atrasos e complicações na escritura.
Índice
- Como se calcula o selo na aquisição: fórmula, base tributável e onde confirmar o VPT
- Selo sobre o crédito habitação: taxas por prazo e como orçamentar
- Isenções através do IMT Jovem: requisitos, limites de valor e impacto no selo
- Quando e como pagar: liquidação, guias e comprovativos para a escritura
- Exemplos práticos: cálculos completos com e sem crédito
- Checklist prático antes da escritura
- Perspetiva Golden Line: como o acompanhamento profissional reduz riscos e atrasos
- Como contratar apoio: serviços para acompanhar a compra até à escritura
- Fontes
- Perguntas frequentes
Como se calcula o selo na aquisição: fórmula, base tributável e onde confirmar o VPT
O cálculo do Imposto do Selo na compra de uma casa segue uma lógica simples. Aplica-se uma taxa de 0,8% sobre o valor mais alto entre o preço de venda e o valor patrimonial tributário, a chamada base do IMT. Esta é a mesma base usada para calcular o IMT, o que facilita fazer as duas contas em paralelo.
O VPT consta da caderneta predial do imóvel e pode confirmar-se no Portal das Finanças, na área dedicada ao património. Vale a pena verificar este valor antes de assinar o contrato promessa, porque uma diferença significativa entre o VPT e o preço acordado muda a base tributável e, por consequência, o valor final do imposto.

Importa não confundir o Imposto do Selo com o IMT: são impostos distintos, calculados sobre a mesma base, mas com taxas próprias e finalidades diferentes. O cálculo do IMT segue uma tabela progressiva por escalões, enquanto o selo da aquisição usa uma taxa fixa de 0,8%.
Alguns exemplos práticos ajudam a visualizar a conta:
- Casa avaliada em 150.000 euros: selo da aquisição de 1.200 euros.
- Casa avaliada em 250.000 euros: selo da aquisição de 2.000 euros.
- Casa avaliada em 400.000 euros: selo da aquisição de 3.200 euros.
Selo sobre o crédito habitação: taxas por prazo e como orçamentar
Quem recorre a financiamento paga um segundo imposto de selo, distinto do da aquisição. Esta incidência recai sobre o montante efetivamente financiado pelo banco, não sobre o preço da casa, e as taxas variam consoante o prazo do contrato.
- Para prazos iguais ou superiores a cinco anos, a taxa indicativa é de 0,6%.
- Para prazos entre um e cinco anos, aplica-se 0,5%.
- Para prazos inferiores a um ano, o cálculo é de 0,04% por cada mês ou fração.
O selo do crédito soma-se, e não substitui, o selo da aquisição: um empréstimo de 200.000 euros a 30 anos gera 1.200 euros de imposto de selo sobre o crédito, um valor que se junta ao imposto calculado sobre o preço ou VPT da casa.
Este é o erro mais frequente em quem orçamenta uma compra com financiamento: contar apenas os 0,8% da aquisição e esquecer o custo do empréstimo. Antes de fechar contas, peça ao banco uma simulação completa que inclua explicitamente o valor do selo do crédito, não apenas os juros e comissões. Um intermediário de crédito, como a MaxFinance Golden Line, consegue comparar propostas de vários bancos e confirmar que a simulação reflete todos os encargos, incluindo este imposto.

Isenções através do IMT Jovem: requisitos, limites de valor e impacto no selo
O regime IMT Jovem permite isenção de IMT e de Imposto do Selo na aquisição a quem cumpre determinadas condições, mas os requisitos são cumulativos e a idade sozinha não chega.
- Ter até 35 anos à data da compra.
- Tratar-se da primeira aquisição de habitação própria e permanente.
- Não ter beneficiado anteriormente deste regime.
- Cumprir os restantes requisitos fixados na legislação em vigor.
Os limites de valor são claros: isenção total até 324.058 euros e isenção parcial entre 324.058 euros e 648.022 euros. Acima deste último valor, o benefício deixa de se aplicar.
Um ponto que gera confusão frequente: o IMT Jovem incide sobre a verba 1.1, ou seja, o selo da aquisição. O selo sobre o crédito habitação, correspondente à verba 17.1, mantém-se como incidência separada e continua a aplicar-se mesmo quando a isenção da aquisição é concedida.
Dica profissional: confirme sempre os códigos a preencher na declaração Modelo 1 do IMT antes de submeter o pedido, porque um código errado atrasa a liquidação e pode obrigar a repetir todo o processo.
Quando e como pagar: liquidação, guias e comprovativos para a escritura
O processo tem uma ordem própria e não convém saltar etapas. O comprador deve pedir a liquidação do IMT e do Imposto do Selo antes da escritura, nunca depois.
- A liquidação faz-se no Portal das Finanças ou presencialmente num serviço de finanças.
- O pagamento deve ocorrer no próprio dia da liquidação ou nos 30 dias seguintes.
- As guias emitidas têm prazo de validade e devem estar atualizadas no dia da escritura.
- O comprovativo de pagamento, ou de isenção quando aplicável, é obrigatório perante o notário ou solicitador.
Um detalhe que evita contratempos: confirme a validade das guias alguns dias antes de marcar a escritura. Guias expiradas ou emitidas com valores divergentes entre o preço declarado e o VPT são causas comuns de adiamento no cartório. Este cuidado é ainda mais relevante quando há pedido de isenção associado, porque o processo envolve validações adicionais por parte da Autoridade Tributária.
Exemplos práticos: cálculos completos com e sem crédito
Os números tornam-se mais claros com dois cenários lado a lado, ajustáveis a casos concretos como compras a dois.
- Compra sem crédito, casa avaliada em 220.000 euros: o selo da aquisição corresponde a 220.000 × 0,8%, ou seja, 1.760 euros. Este é o único imposto de selo a considerar, já que não existe financiamento envolvido.
- Compra com crédito, casa avaliada em 220.000 euros, financiamento de 200.000 euros a 30 anos: o selo da aquisição mantém-se em 1.760 euros. O selo do crédito, à taxa de 0,6% aplicada aos 200.000 euros, soma-se mais 1.200 euros. O total de Imposto do Selo nesta compra é 2.960 euros.
- Divisão por quota-parte: num casal que compra em partes iguais, cada comprovativo e cada guia pode refletir 50% do valor total, mas a liquidação é feita normalmente sobre o valor global da transação, com indicação das quotas de cada titular na declaração do IMT.
Estes valores inserem-se diretamente nos campos da liquidação do IMT e do selo no Portal das Finanças, onde o sistema calcula automaticamente ambas as parcelas a partir do preço, do VPT e dos dados do financiamento.
Checklist prático antes da escritura
Antes de marcar data com o notário ou solicitador, confirme estes pontos:
- Verifique se o preço declarado e o VPT estão corretos e recalcule a base tributável se necessário.
- Peça a liquidação e emita as guias do IMT e do Imposto do Selo com antecedência.
- Pague dentro do prazo e guarde os comprovativos válidos para apresentar na escritura.
- Confirme que qualquer pedido de isenção foi corretamente registado, com os códigos certos na declaração Modelo 1 do IMT.
Dica profissional: leve sempre uma cópia extra de todos os comprovativos para a escritura: bancos e cartórios pedem frequentemente documentos adicionais de última hora e ter tudo em duplicado evita adiamentos.
Perspetiva Golden Line: como o acompanhamento profissional reduz riscos e atrasos
O cálculo do Imposto do Selo parece simples no papel, mas a prática mostra outra realidade: divergências entre preço e VPT, guias mal emitidas e pedidos de isenção incompletos são causas recorrentes de atrasos na escritura. A maior parte destes problemas resolve-se com verificação atempada, não com pressa de última hora.
No acompanhamento profissional a compradores, é importante confirmar o valor patrimonial do imóvel antes da negociação, coordenar com o intermediário de crédito uma simulação completa do financiamento, incluindo o selo do empréstimo, e prestar apoio jurídico e processual até à assinatura. Este acompanhamento ajuda a identificar cedo qualquer inconsistência que possa atrasar a liquidação dos impostos.
Comprar casa envolve mais do que negociar o preço: envolve calcular corretamente cada imposto e garantir que nenhum documento falta no dia da escritura.
— Sónia Godinho
Como contratar apoio: serviços para acompanhar a compra até à escritura
Quando há financiamento envolvido, pedido de isenção a preparar ou situações mais complexas, como heranças ou imóveis em indivisão, vale a pena ter apoio especializado em vez de gerir tudo sozinho. Algumas agências imobiliárias acompanham compradores em várias regiões, desde a simulação de crédito até à entrega dos comprovativos no dia da escritura.

Três frentes de apoio fazem diferença prática neste processo:
- A avaliação gratuita e personalizada confirma o valor de mercado do imóvel, um passo útil para verificar se o VPT reflete a realidade antes de calcular impostos.
- O serviço de crédito habitação e renegociação bancária da MaxFinance Golden Line ajuda a comparar propostas de financiamento e a confirmar que cada simulação inclui o selo do empréstimo.
- O apoio jurídico e processual acompanha toda a documentação necessária até à escritura, incluindo pedidos de isenção.
Se está a preparar uma compra e quer confirmar valores antes de avançar, peça uma avaliação ou entre em contacto com uma equipa especializada para perceber que apoio faz sentido no seu caso.
Fontes
Perguntas frequentes
Quanto é o imposto de selo de uma casa?
O Imposto do Selo na aquisição corresponde normalmente a 0,8% sobre o valor mais alto entre o preço de venda e o VPT. Se houver crédito habitação, soma-se ainda o selo sobre o montante financiado, com taxa dependente do prazo do empréstimo.
Quando é que se paga o Imposto de Selo?
O pagamento faz-se antes da escritura, depois de pedida a liquidação no Portal das Finanças ou num serviço de finanças. O prazo é o próprio dia da liquidação ou os 30 dias seguintes, e o comprovativo tem de ser apresentado ao notário ou solicitador no dia da escritura.
Quanto se paga de imposto na compra de um imóvel em Portugal?
Além do Imposto do Selo de 0,8% sobre a base do IMT, o comprador paga também o IMT, calculado por escalões progressivos sobre a mesma base. Quando há financiamento, acresce ainda o selo sobre o crédito, com taxa conforme o prazo do contrato.
Como calcular o valor da escritura de um imóvel em Portugal?
O valor de referência para os impostos é sempre o maior entre o preço declarado no contrato e o valor patrimonial tributário do imóvel, disponível na caderneta predial. Este valor serve de base tanto ao IMT como ao Imposto do Selo da aquisição, pelo que vale a pena confirmá-lo antes de assinar qualquer contrato promessa.
